sábado, agosto 20, 2016

Pela minha linda Benfeita


Que bonita volta..... que a passar na minha Benfeita, ainda a torna mais bonita. Então foi assim....

Para variar só em cima do acontecimento é que deu para perceber que tinha um pouco mais de tempo para acrescentar à voltinha da manhã de sábado. Saí de casa e tomei o caminho das Pedras Lavradas, mas.... como estava fresco, como havia vento e as nuvens estavam baixas abandonei a ideia de pedalar para aqueles lados. No Ourondinho, virei para o Paul e de seguida Ourondo. Ainda pensei em ir à Barroca e Dornelas para de seguida subir à Portela de Unhais (já faz algum tempo que não passo por lá), mas decidi ligar o Ourondo à estrada (reabilitada) que liga o Cabeço do Pião à Barroca Grande. Foi muito boa opção!


Sempre à beira do Zêzere e com vista para as escombreiras do Cabeço do Pião apanhei a dita estrada. Subi à Aldeia de São Francisco de Assis e de seguida já com a imponência das escombreiras da Barroca Grande à frente, continuei a subida.




Passei a Barroca Grande, terra de mineiros. Sente-se aqui um mundo à parte, sente-se que foi terra com muito mais vida em outros anos. As conhecidas Minas da Panasqueira são por aqui e por todos estes arredores. Neste link, encontram-se vários registos fotográficos disso mesmo. 

Depois da Barroca Grande continuei a subir. Da ultima vez que aqui passei, segui para São Jorge da Beira e para o Sobral de São Miguel. Nessa volta tinha-me ficado curioso, com uma placa que indicava Barragem de Santa Luzia. Obviamente que já andamos por essa zona, mas como estava curioso onde essa estrada me iria levar, foi agora o caminho escolhido.


Encontrei no caminho um santuário, um Santuário do Cristo Operário que eu desconhecia existir. Mais à frente as vistas para a Serra da Estrela e para o vale de Unhais da Serra, mostravam-se ainda debaixo de alguma nublina, que ajudou a reforçar a ideia que o ter vindo para aqui, foi uma boa opção.


De seguida mais um cruzamento. Fiquei na duvida, pois já estava com a ideia na cabeça de ir virar à Benfeita. A minha Benfeita! Alguma má opção pelo caminho poderia hipotecar este meu desejo. Sem placas com indicações, a referência é a enorme "Cebola", isto é, este grande monte da Serra do Açor (o maior) serviu-me de referência para o rumo que eu queria tomar. Viro à direita e quando me apercebo tinha as Meãs ao meu lado direito. 
A passar pelas Meãs já tenho pelo menos 3 "aventuras". A primeira aquando da primeira vez que fiz a GR22, a segunda na segunda vez que fiz a GR22 (desta vez em sentido inverso) e a terceira num reconhecimento com uma malta amiga para o "Who's". Mas nas imediações já se contam mais umas tantas passagens..... a que mais tenho vontade em repetir é mesmo esta... que dei o nome de "Os três do Açor".

Passar por estes locais transmite sempre uma grande tranquilidade, algo que procuro sempre num passeio de bicicleta seja ele em alcatrão ou em todo terreno.



Para sair das Meãs só mesmo subindo. Estamos praticamente ao lado de Unhais-o-Velho, mas isso já implicava iniciar o regresso a casa. Subi na direcção do Fajão até avistar Beirais... perdão até avistar o Ceiroco. 

Serpenteando as encostas desta serra, cheguei ao cruzamento para Camba e Porto da Balsa. Ainda pensei seguir até à Covanca de depois apanhar a estrada da Barragem do Alto Ceira, mas fica para uma próxima. Mas antes tivesse tido essa opção, isto porque, a certa altura da descida desapareceu todo o alcatrão. A estreita estrada de alcatrão está a dar lugar a uma nova estrada, mais larga, mas ainda não foi pavimentada. Ora para mim que não sou adepto de "pavês", nem de paralelos ou mesmo de fazer TT com a bicicleta de estrada, arrependi-me logo.....



Mas lá cheguei a Beirais..... perdão, cheguei ao Porto da Balsa.

A titulo de curiosidade, Beirais vem de uma serie televisiva nacional que passava até à bem pouco tempo na RTP1, "Bem-vindos a Beirais". Lá em casa a garotada gostava e por arrasto.... passámos todos a gostar. A pequena aldeia onde era filmada a serie, era no concelho de Alcobaça. Mas muitas das imagens que mostravam de um meio rural eram destas paragens. reconheciam-se algumas da Serra da Estrela, outras do Ceiroco e do Porto da Balsa, entre outras. Sempre me deixou curioso, como se lembraram de filmar por aqui....



Para sair daqui, só mesmo subindo. Para mim, já cheirava a Benfeita, pois depois desta subida restava descer à Benfeita. 
Por aqui já tinha pedalado à uns anos (http://tiagussbtt.blogspot.pt/2006/10/depois-da-serra-do-aor.html). Nesta subida lembrei-me muitas vezes dos companheiros desta aventura. Apetecia-me ligar-lhe e perguntar..... "sabeis onde estou?" Com uma ou duas dicas iam adivinhar logo, tenho a certeza.




E eis que começam a aparecer novas placas com indicações destas povoações serranas. Gosto de as encontrar, por várias razões.



Estas placas mais antigas em pedra eram as que conhecia (de garoto) da Serra do Açor. Agora vão aparecendo cada vez mais as convencionais. 
Como tinha escrito atrás, gosto de ver estas placas. Para mim é como se de um puzzle se tratasse. O raciocínio é sempre o mesmo, associar a cada das povoações algum passeio que já tenha feito. Uma coisa do tipo Mata da Margaraça - check, Fraga da Pena - check, Benfeita - check, Arganil - check, Côja - check, etc.... Não são todas "check", mas as que estão em falta desta lista.... há plano para algumas em BTT (claro). Bem, raciocínio mais comum é este quando passeio pela Serra do Açor e arredores. 


Trazia em mente descer pelo Enxudro e pelo Sardal, mas..... não passaria na Fraga da Pena e apetece-me sempre passar por lá. Assim, entrei no Monte Frio para descer à "mata".



Entrei na Mata da Margaraça pela ponte onde me recordo de uma vez ter estado "atascado" com o meu pai. O paralelo aqui é recente, provavelmente uns 10 anos. Antes tudo isto era em terra batida e nesta zona da ponte nem sempre se passava bem.

Não sou adepto do paralelo, mas aqui tinha de o gramar e a passagem por estas sombras valem bem a pena. Para se ter uma ideia, parte deste paralelo está sempre húmido e estamos a falar de um dia que a temperatura já andava acima dos 30 graus.



Na Fraga da Pena, entrei e saí..... a pressa era chegar à Benfeita. 



Aqui é como chegar a casa. E é casa! Esta é a minha aldeia. Fui como sempre directo a casa da Adélia e do Rogério. Tive a sorte de os encontrar aos dois. Apesar de ser quase hora de almoço, não dava para ficar. Se aqui parasse muito tempo, o regresso ia ser muito mais duro. 
No quiosque parei para beber uma agua das pedras com a minha amiga Sara e com o pai, mas amigos foi o que mais vi nesta pequena pausa, a meia da volta. Até a pequena Luísa que me lembro de conhecer na tal volta que deu origem a este blog (http://tiagussbtt.blogspot.pt/2006/10/depois-da-serra-do-aor.html), reconheci pelas parecenças com a mãe. 


Esta é a bonita praia fluvial da Benfeita. Muito em breve cá voltarei e para molhar as pernas... 


O regresso foi por um caminho mais habitual. Passei na Dreia, virei para o Casal de São João, Vila Cova do Alva, Avô, Ponte das Três Entradas, Alvoco das Varzeas, Vide, Pedras Lavradas....




Nas Pedras Lavradas, não era preciso mais parei.... já cheirava a casa. Não me lembro de aqui parar em passeios de bicicleta. Há sempre uma primeira vez para tudo. Sempre que aqui venho ou é para voltar para trás, quando venho somente aqui picar o ponto ou então é no inicio de uma boa volta onde parar aqui ainda é cedo. No entanto já aqui vim almoçar algumas vezes.... de carro.



E com mais "meia duzia" de Kms, chego a Unhais da Serra. Gosto muito de terminar passeios por aqui por varias razões. A primeira é que este é o melhor "molha-pernas" da região. Depois de 150 Kms sabe sempre bem ficar aqui de molho, a segunda razão é que terminando aqui é sinal que tenho cá as minhas princesas, o que só por si já é o maior argumento.



Com a bicicleta bem colocada fora da praia, com as perninhas a refrescar na agua e com vista para a Serra da Estrela, terminei assim mais um bonito passeio.



sábado, agosto 06, 2016

Estrada fora até ao Monte Colcurinho


Apeteceu-me o alcatrão.....
Ultimamente as saídas em alcatrão não vão bem definidas à porta de casa e vão-se desenhando aos poucos. Ideias não vão faltando, mas as condicionantes de tempo disponível, calor do dia, etc, vão ajudando a definir o que fazer.

Saí e virei para Unhais da Serra e consequentemente Pedras Lavradas. Ainda pensei "Loriga", mas faltava imaginação para lhe dar seguimento. 

Desci à Teixeira e para variar dei com a vergonha que já dura há mais de dois anos, a estrada Nacional 230 cortada, devido ao desmoronamento da estrada. A vergonha maior é saber que antes do corte já a estrada se encontrava somente com uma faixa de rodagem (pelo mesmo motivo). Resumidamente o problema já estava identificado há muitos mais anos.



De bicicleta e a pé lá se ultrapassam as barreiras de cimento. Segui para a Vide e Ponte das 3 Entradas.


Na Ponte das 3 Entradas liguei ao meu amigo Tó-Zé, se estivesse em Oliveira do Hospital ainda lhe fazia uma visita. Assim, fica para uma próxima....

Bem e aqui em cima da ponte tinha de escolher uma das 3 saídas..... escolhi a que diz Aldeia das Dez (entre outras), mas o objectivo seguinte já estava ali definido, a capela da Nossa Srª das Necessidades no cimo do conhecido Monte Colcurinho (o 3º mais alto da Serra do Açor). 


Passei pela Aldeia das Dez, pelo Goulinho, Vale de Maceira e pelo bonito Santuário da Nossa Srª das Preces. Já muitas vezes por aqui andei..... e gosto sempre bastante. 


Chegada (sofrida) junto à capela. Naquele ultimo Km.... sofre-se. Não é que não o conhecesse já, mas com a bicicleta de estrada nunca o tinha feito.


E não há melhor local desta volta para contemplar as vistas. Que tranquilidade......


Aqui parei um bocado.....
É inevitável! Contemplar todo este sossego, carrega baterias, não carrega as pernas, mas a tudo o resto é uma grande ajuda.



Saí de junto da capela de alma cheia, mas barriga vazia...... desci ao Piodão. Alargar a volta para os lados das Meãs ou Covanca já iria chegar a meio da tarde. O abastecimento (bifana) foi mesmo no Piodão. 


Na passagem por cima de Foz d'Egua, deu para perceber que alguém relaxava na agua deste pequeno paraíso. Engraçado foi no dia seguinte perceber que era malta minha amiga que ali estava. Coincidências de um mundo pequeno.....


Com o calor a apertar bastante, ainda tinha pela frente uma boa subida desde Vide até às Pedras Lavradas. Valeu-me o conhecer dois pontos de agua bem fresquinhos que estão pelo caminho, um em Casas Figueiras (ainda antes de Vide) e o outro já depois da Teixeira. Facilmente passam despercebidos e como são duas mais valias enormes para quem por aqui anda de bicicleta, aqui ficam duas imagens do "google".

Fonte em Casas Figueiras, basta descer as escadinhas...

Fonte entre a Teixeira e as Pedras Lavradas, circular com atenção para não passar despercebida...

Cheguei a casa com cerca de 150 Kms.
Em bicicleta de estrada foi a primeira investida ao Colcurinho. Para mim era como se fosse uma lacuna depois de já cá ter vindo de tantas maneiras.... a correr (20082009 e 2010), em caminhada relaxada (2011), em BTT pelo "violento" percurso da corrida (2009), em BTT numa fantástica volta pela Serra do Açor (2014) e de carro há muitos anos atrás com o meu pai, teria eu os meus 12 ou 13 anitos. Fantásticos passeios que estas paragens proporcionam. Haja saúde (e tempo) para os fazer...


domingo, julho 24, 2016

O nocturno dos nocturnos


Mais uma grande noite.
A receita foi idêntica à de 2014 e 2015
Os companheiros foram o Miguel Silva, Rogério Cunha, Pedro Cordeiro, Emanuel Pina e o José Ângelo. 
Os ingredientes foram a Serra da Estrela, a tranquilidade da noite, a amizade, o bom espírito de grupo.... ah... e as bicicletas.

Só podia resultar numa bonita noite.

O plano foi o da figura abaixo. Um bom passeio aproveitando o facto de ter estado lua cheia durante a semana.


Este ano não tenho tido oportunidade de alinhar nos nocturnos com esta malta, mas neste, sendo fim de semana, lá deu para alinhar.

Às 22:00 saí de casa (atrasei-me) e fui ao encontro do Miguel e logo a seguir do Cordeiro. No Canhoso, à nossa espera estava o resto do grupo, Emanuel, Rogério e o Zé Ângelo. As 22:30 estava todo o grupo a pedalar, rumo ao Teixoso e Alto de São Gião.


A primeira foto de grupo foi tirada já com vista para Valhelhas, junto à casa florestal do costume. O Sarzedo já ficava para trás. Pelo caminho punha-se a conversa em dia....

Em Valhelhas é obrigatório parar. Será o ultimo local com café aberto que vamos encontrar até entrarmos novamente na Covilhã. Mas até chegar essa hora, muitas pedaladas se vão dar.
Era meia noite certinha no meu relógio, quando aqui nos sentámos.


Estava na hora de nos "enfiar-mos" serra adentro. Longe das luzes, mais perto das estrelas, mas sempre a conseguir ver todas elas.

Com mais 13 Km de subida (aproximadamente) estávamos junto à Azinha. Normalmente quem mais aqui sobe, não gosta de muito vento, falo da malta do parapente. Esta não era uma noite sem vento, muito pelo contrário o vento foi desde o inicio do passeio a nossa constante companhia. Por vezes com a transpiração até dava para ter algum frio. 




Azinha revisitada e está na hora de descer para o vale do Mondego, mas propriamente para a bonita zona da Srª da Assedasse, onde temos sitio para atestar novamente os cantis com agua fresca.



Por aqui há muito mais companhia. Os rebanhos de cães são os que dão o primeiro sinal de desassossego no tranquilo vale do Mondego. Apesar do barulho que fazem, não são cães de vir ao nosso encontro para nos correr dali para fora. Já lá vai o tempo em que passava por ali a pé (durante o dia) e dizia que era a ultima vez. Estarão os bichos mais familiarizados com forasteiros? Parece que sim. Estes últimos anos, seja de noite ou de dia, já raramente me sinto ameaçado naquele local. Mas já senti.... e não quer dizer que não haja surpresas. Daí que sempre muita cautela.


Dali, seguimos por "carretera" até à Portela de Folgosinho. Deixámos o asfalto logo à frente depois de mais uma paragem para comer e atestar os cantis. Bebemos bem, esta ultima "subidita". A seguinte é das boas até à Santinha. Mas surpresa das surpresas o caminho agora está muito bom, arranjadinho sem aquelas valas e crateras onde cabe um carro inteiro. O caminho está agora muito bom. Da forma como o encontrámos, com valetas e regos fundos a atravessar o caminho como se fossem lombas da estrada, arriscava dizer que pelo menos um inverno, aguenta.


Perto das 4 da manhã estávamos na Santinha. O vento incomodava, daí que  paragem não foi muito grande. Depois de vestir um pequeno agasalho para irmos até ao Vale do Rossim, seguimos o caminho pelo Malhão. Ainda nos enganámos. Dá para perguntar, "como é possível?", não é? Mas o caminho está muito alterado pelos madeireiros que por ali andam e quando é a descer, uma pequena distracção num cruzamento e descemos um pouco ao lado de onde era suposto. O Miguelinho, deu conta e lá voltámos atrás.


No Vale do Rossim, mais uma rodada..... Estávamos feitos uns bebedolas. Afinal de contas..... nós fomos "prá noite".


Uiiiii que sofrimento aí vinha. Até a escrever me irrita o caminho entre o Vale do Rossim e o Lagoacho. Tanta pedra, tanta sarrisca, tanta falta de tracção. Este caminho chateia. A luta é encontrar um "singletrack" no meio do estradão.



No Lagoacho olhamos para trás e já víamos alguma claridade. No horizonte uns tons amarelados e um azul mais vivo anunciavam o nascer do dia. Mas o Sol só o vimos mais tarde.




Depois do Lagoacho estava terminado o piso ruim. Seguia-se o caminho à beira do canal e a estrada nacional até à Torre.


Na Lagoa Comprida passámos por mais gente madrugadora..... pescadores a assomar-se no paredão da barragem.


Até escolhermos um local para contemplar o nascer do Sol, subimos uns metros e andámos mais uns quilómetros.



E eis que nasce o Sol para nós também.


O Rogérinho, registou este momento. Bonito não? O momento é fantástico e revela a tranquilidade, revela o companheirismo, a amizade, transmite o sossego por nós vivido naquela actividade e em particular naquela hora.


Seguiram-se uma sequência de fotos de grupo. As do costume, mas agora já com os 6 artistas.


E lá chegámos à Torre.... 



Tirámos a ultima foto de grupo junto ao marco geodésico e descemos para a Covilhã city, onde tomámos o café da manhã.