domingo, março 01, 2015

Amendoeiras 2015


Já tinha saudades de ter "matéria prima" desta qualidade...... 


À semelhança dos últimos anos, a actividade das Amendoeiras em Flor organizada no Clube de Montanhismo da Guarda é dividida em duas actividades distintas: caminhada no domingo e travessia em BTT no sábado. Basicamente com o propósito da participar na caminhada de domingo, um grupo de caminheiros que também andam de BTT fazem a ligação desde a Guarda até ao local onde a caminhada se vai realizar no dia seguinte.

Este ano, o nosso destino foi Vila Nova de Foz Côa. Sábado, a travessia em BTT ligou a Guarda a Vila Nova de Foz Côa e domingo a caminhada foi integrada na "1ª Caminhada por Terras do Paleolítico" (organização Rodeiras de Xisto com o apoio do município de Foz Coa e da Junta de Freguesia de Castelo Melhor)

Para mim e para o amigo Rato (da Lezíria), o fim de semana de actividade começou logo na sexta feira à noite com a dormida na camarata da sede do clube.


Para que os inícios madrugadores das actividades, não sejam um entrave aos sócios que moram longe, existe sempre a possibilidade de pernoita na camarata. Assim, até um participante que vem de Santarém acaba por ser o primeiro a chegar. :)


O dia de sábado acordou cinzento. Assim que acordei e olhei para a janela vi chuva, nevoeiro e ouvia-se bem o vento. Pensei.... já não aparece cá toda a gente. Enganei-me! Até houve quem aparecesse de calções, quem viesse de Santarém, de Lisboa e ainda houve direito a estreias.


No meio da neblina, deixamos o Largo do Torreão, descemos a calçada romana, passámos à Cruz da Faia e de seguida o Barrocal. Basicamente o caminho normal para quem quer sair da cidade por um sitio bonito. O nevoeiro é que não nos deixou ver muita coisa, só mesmo aquando da passagem pelo Alvendre é que já começamos a ver alguma coisa.


A seguir ao Alvendre descemos ao vale para junto da Ribeira de Massueime.  Este afluente do Rio Côa fez-nos companhia por diversas vezes. Tal como nós neste dia, também ele ruma a Norte até ao ponto que as suas aguas "nascidas" na cidade mais alta se misturam com as aguas vindas da Serra das Mesas onde nasce o Rio Côa.


Comentamos por diversas vezes a beleza desta zona. Entre muros e carvalhos, terras de cultivo e pinhais, fomos progredindo por Vila Franca do Deão e Avelãs da Ribeira, por trilhos já nossos conhecidos onde inclusive já passou uma edição da Invernal de BTT Cidade da Guarda.





Chegámos a Alverca da Beira (outrora sede de município). O Gonçalo (vindo de Lisboa), tem as suas raízes aqui. Ao passar junto à Capela do Senhor da Oliveira, explicou-nos parte da uma historia caricata que envolve esta pequena capela. Se repararmos bem a mesma tem duas partes independentes.... 


Neste momento uma parte é a capela e de outro lado é um palheiro/garagem particular.



Logo depois de Alverca da Beira encontrámos novamente (vinda da cidade mais alta) a Ribeira de Massueime. Parámos por lá, pois esta malta gosta sempre de apreciar construções antigas como é o caso desta ponte sobre a ribeira.





Depois de atravessar a estrada nacional 226 seguimos até à Granja, onde já conseguimos apreciar a paisagem como se de um pequeno miradouro se tratasse.





Seguiu-se a Vendinha, passámos ao largo da Povoa D'El Rei e entrámos no Sorval (concelho de Pinhel), onde o nosso Sérgio Pissarra apareceu com o jipe/reboque e o resto do nosso material. Aqui fizemos a primeira paragem mais demorada. Sim, porque paragens durante o dia fizemos muiiiitas, não andássemos nós por aqui a passear.

O amigo Sérgio Pissarra não é um adepto das bicicletas, nós até gozamos com a situação dizendo que ele tem aversão às duas rodas e que deve ter dado um trambolhão muito grande quando era miúdo e bateu com a cabeça, mas...... é graças ao apoio dele que a malta vai mais segura e tranquila durante o dia. Pois se algo acontece, ou se as pernas não respondem ao dono, o Serginho logo aparece para os carregar no jipe.







Passámos pela Santa Eufémia, por Vieiro e de seguida descemos ao vale.






O vale que descemos levou-nos novamente à Ribeira de Massueime. Neste local, já o seu caudal é maior. Valeram-nos as seculares poldras para atravessar a ribeira. Ribeira ou Rio?!? O Massueime em muitos locais é chamado de ribeira e em outros de rio. Neste ponto (após lhe desaguar a ribeira dos Cótimos) já tem um aspecto mais "corpulento".




As chuvas do Inverno trouxeram, como é normal, muitos ramos de árvores. Se não são removidos até às próximas chuvas podem deitar a perder esta forma de unir as margens, pois neste momento tudo o que ali está "preso" oferece muita resistência à passagem das aguas.



Ao mudar de margem, deixámos para trás o concelho de Pinhel e entrámos no concelho da Meda, mais propriamente na freguesia da Coriscada.



Um pouco antes de entrar na aldeia, surge lá no alto à nossa direita uma pequena capela num privilegiado e bonito local. Ficou-me logo na memória para depois em casa tentar saber a quem é dedicada.

Mas um pouco mais à frente encontrei a resposta, uma seta a indicar "Santa Barbara".


Só podia ser mesmo. E explico porquê, com as duas seguintes fotografias:

Entre outros, mas pode ser encontrada nesta publicação "Os três do Açor"

E outro exemplo numa etapa da conhecida GR22




Na Coriscada, não demorámos muito, mas deu para fotografar a igreja matriz e o bonito solar dos Viscondes da Coriscada, bem no centro do povo. 

Um pequeno "à parte".....
Francisco Joaquim da Silva Campos Melo foi um industrial dos lanifícios da Covilhã (e presidente do município da Covilhã) que por decreto se tornou no 1º Visconde da Coriscada (titulo atribuído pelo Rei D. Luis I de Portugal). Quem já passou pela Covilhã, sabe que nomes como "Campos Melo" e "Visconde da Coriscada" são familiares, daí o ter feito esta pequena nota. 





Assim chegámos a Santa Comba. Aqui fizemos mais uma paragem num simpático café em que os proprietários são fãs das duas rodas (com e sem motor). 
Em Santa Comba o grupo ficou mais rico. Dois amigos de Foz Côa (Carlos Gabriel e Toni) tinham vindo ao nosso encontro para fazer os últimos quilómetros connosco. Com estes dois companheiros ficamos a ganhar e muito, não só pela simpática companhia, mas também porque como conhecedores da zona nos levaram a Vila Nova da Foz Côa por autênticos postais ilustrados.






Lá mais para trás distinguia-se bem a Serra da Marofa.




Passámos por muita pedra pelo caminho (só não fizemos castelos por falta de tempo). Por vezes a pedra estava espalhada no caminho (foto acima) e outras vezes bem organizada em calçada (foto abaixo).




As paisagens tendiam para o fabuloso à medida que os quilómetros iam passado. As vinhas eram paisagem cada vez mais evidente.




A descida para junto do Rio Côa estava a aproximar-se. Como não podia deixar de ser a "subida do dia" fica sempre guardada para o fim. Tem sido esta a sina da Travessia das Amendoeiras em Flor. No ano passado, a caminho de Freixo de Espada à Cinta, a "trepa" foi mais dolorosa. Mas são estas que ficam para contar.....


Por aqui tudo cheira à Quinta da Ervamoira. A conjugação da quinta neste cenário enrugado do vale do coa, com o rio mesmo ao fundo é simplesmente fantástica. É daqueles locais que nos fazem parar de 100 em 100 metros para olhar, olhar, olhar....


A foto do grupo que por aqui passou foi tirada de um local magnifico. A foto somente ilustra a boa disposição da malta, mas o cenário aqui era grandioso.






Toca a descer.... e que descidas apanhámos por aqui :)






E foi aqui que os nossos amigos Toni e Carlos Gabriel nos desviaram do plano original para nos mostrarem um dos trilhos mais bonitos do dia. Apesar de mais difícil, ainda bem que o fizemos a subir..... assim deu para o gozar durante mais tempo.

As imagens ilustram este bonito local, bem perto do "Fariseu", um dos locais onde existem vestígios de gravuras rupestres da época do Paleolítico Superior. 






O trilho, já tinha referido o bonito que é. E a paisagem??? Estas vistas sobre o Rio Côa, com algumas amendoeiras em Flor na encosta foram a cereja em cima do bolo deste final de dia.












Assim que deixámos o singletrack, continuou-se a subir por um caminho ligeiramente mais largo. As paisagens continuam a enriquecer o nosso dia. Tudo isto é Portugal, tudo isto está aqui à beira de casa.


Durante a subida o Toni, deu-nos algumas explicações sobre alguns temas "rochoso" que foram desde o paleolítico até às actuais pedreiras no concelho de Foz Côa. A riqueza destes passeios também se deve a estes pormenores, há sempre algo a acrescentar ao que estamos a ver.



Felizes e contentes por este dia bem passado, chegámos a Vila Nova de Foz Côa. O fim de semana só agora ia a meio....


Seguiu-se a bela jantarada no Sunset Bar (que nos apoiou na logística), já na companhia da pequenada e de mais uns graúdos.



Como o fim de semana é de festa, ainda fomos provar um pouco dela no largo junto à sede do município.


Até que chegou a hora da deita. A malta seguiu para o pavilhão, cedido pela autarquia para dormir e eu como tinha cá as minhas princesas e os meus príncipes, optamos pela dormida mais confortável.


Domingo era o dia da caminhada. Este ano a nossa caminhada das Amendoeiras em Flor, resumiu-se à participação na "1ª Caminhada Por Terras do Paleolítico". Uma excelente organização Rodeiras de Xisto, com o apoio da Junta de Freguesia de Castelo Melhor e da autarquia de Foz Côa.


A concentração dos caminheiros foi junto ao gimnodesportivo. De seguida todos apanhamos o comboio até ao Museu do Vale Côa onde começou a caminhada.

Foto: Rodeiras de Xisto

Foto: Rodeiras de Xisto



A primeira parte foi só descer, descer, descer...



.... até junto do Rio Côa.
A "pior parte" era mesmo a seguinte, pois basicamente consistia em subir. Mas eram uma bonitas subidas, sempre com umas vistas agradáveis e sempre em boa companhia, neste grande grupo tão heterogéneo.





Tanto os grande como os pequenos se portaram bem. No final estavam feitos 14 Kms e todos estavam com o apetite para a feijoada que ia ser servida.
Foi a primeira caminhada da minha pequenina. A maior e os príncipes já tinham provado disto noutros anos, mas este ano deixaram-me muito surpreendido. No final os pequenos ainda tinha força para jogar à bola.



A pequena ainda andou a esticar as pernas.

Voltaremos a Castelo Melhor....


Track da Travessia em BTT

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

Por Loriga e Vide


A folga de segunda feira, foi "gasta" num passeio de bicicleta. Ainda ponderei aproveitar o gelo da serra, mas as duas rodas falaram mais alto. Mas também ainda não foi desta que me fui sujar de lama, isto porque, com o tempo que tinha rendia mais fazer-me à estrada, pois queria chegar a tempo de ir buscar a minha princesa mais cedo à escola. 

O dia apresentou-se bastante mais ventoso que o esperado. Como era de componente Este, decidi ir pelas Pedras Lavradas e lá "esconder-me" do vento. Resultou de certa forma, mas acabei por ir para uma zona mais fria, onde por vezes o Sol faz derreter o gelo. O vento tive de o gramar o dia todo, pois raramente me deu descanso.


Nas Pedras Lavradas rumei a Alvoco da Serra e Loriga. Não tirei muitas fotos, porque as paragens eram muito desconfortáveis. O frio e o vento não são um factor que ajude muito em dias destes. A estrada estava "meia" gelada, isto porque metade de faixa de rodagem não leva com um raio de Sol durante o dia. O gelo das bermas dão bem a entender o que estou a dizer. Todo o cuidado é  pouco, principalmente a fazer algumas curvas.




A maior paragem foi no meu conhecido mirante, já com vistas para Loriga. Mas a paragem foi só o tempo de comer a minha sandes de almoço.




Nem entrei na terra do meu pai, pois iria atrasar-me e ainda tinha o vento pela frente no regresso a casa. Dali, rumei à Portela do Arão e desci à Vide . Vinha aí a parte pior... subir novamente para as Pedras Lavradas. Esta subida (para mim) tem duas fases, a primeira é subir à Teixeira e a segunda até às Pedras Lavradas.



Até se fez bem a subida, pois o vento só incomodou de vez em quando. O pior foi fazer os últimos 30 Kms de regresso a casa, a levar sempre com o vento.  Felizmente por umas razões e infelizmente por outras, carros por aqui são muito poucos e nesses aspecto até fui uma volta tranquila.


PS: O desnível positivo acumulado desta volta, é de 2500 metros aproximadamente. Não liguem ao exagero do gpsies do mapa acima.

domingo, janeiro 11, 2015

Continua a operação ferrugem 2014...


O fim de semana teve poucos Kms, pois somente a manhã de sábado foi para pedalar. 
Optei por sofrer mais um pouco e ir virar à Torre à semelhança do fim de semana passado. Desta vez subi pela Covilhã e depois logo decidia o que fazer a seguir.


Custou uma vez mais, pois a ferrugem de 2014 ainda é bastante. Mas estamos a tratar de desenferrujar. Desse por onde desse, tinha mesmo de lá ir acima. A grande motivação estava lá (depois da torre), pois o pequeno Tim estava a estrear-se em outras andanças. :)

A volta ficou resumida em subir e descer pelo mesmo caminho, pois com o dia soalheiro que esteve, fiquei quase uma hora e meia a ver a garotada. 


Vamos ver quando o tempo (e as pernas) vão deixar subir outra vez....

domingo, janeiro 04, 2015

As primeiras de 2015


Já houve anos em que aproveitando a passagem de ano "em altitude", a primeira volta do ano era logo depois da meia noite com direito a ir virar ao ponto mais alto de Portugal continental. Assim dava tempo para voltar para a festa até de madrugada, mas...... os tempos são outros e com a princesa mais nova a querer outros sossegos, esta passagem de ano à semelhança do ano passado foi tranquila com direito a não deitar muito tarde. Daí que no dia 1 deu para acordar a tempo de me juntar ao conhecido Pelotão Cavaca que rola por todo lado a partir da cova da beira.

Ficaram assim feitos os primeiros 60 Kms do ano, numa volta bonita e relaxada aqui pelos nossos quintais.

(Foto retirada do blog do Cavaca)

Aproximando-se o fim de semana e aproveitando o tempo fresco e seco deste Inverno, sábado a manhã foi para rolar até Vale Formoso, Valhelhas, Manteigas, Piornos. A ideia era descer de seguida para a Covilhã, pois a falta de Kms deste ultimo semestre estava a reflectir-se nas pernas. Mas passar ali e não ir lá acima (ainda por cima num Inverno como este), é como "ir a Roma e não ver o Pápa".  Confesso que deve ter sido a vez que mais me custou fazer isto. Tanta ferrugem nas pernas. O homem da marreta e a família apanharam-me por diversas vezes, mas lá tiveram pena de mim e deixaram-me seguir....


A cara engana.... 

Após estes 90 Kms da manhã, seguia-se outra pedalada, mas desta vez de carro e com a famelga toda. Fomos até Arganil, dar uma força a um amigo de infância no arranque de um novo projeto com o nome AMBikes. A malta da Serra do Açor e arredores tem agora uma loja à altura.

Domingo para finalizar o fim de semana, a ultima voltinha, 40 Kms pela tarde pelas estradas do Barco e do Telhado. Já dá para começar a semana (e o ano) cheio de vontade :)