sábado, julho 12, 2014

Noite das duras

(Como as minhas fotos não fazem jus a esta grande noite, juntei-lhe os bonitos e inspiradores registos do Rogério Cunha)

O desafio foi lançado pelo próprio Rogério. Um bom desafio para uma noite de lua cheia. Já não pedalava há mais de um mês por falta de tempo, mas como a vontade era mais que muita, alinhei na doideira. A ideia era fazer um BOM nocturno. 

Às 22:00 começámos a pedalar. A temperatura estava impecável e era sem margem para duvidas uma excelente noite para pedalar. Avizinhava-se um dos melhores nocturnos, pois ingredientes não faltavam. Porem para acompanhar também se avizinhava uma grande dor de pernas (pelo menos para mim), pois a "ferrugem" era evidente.



Depois de nos concentrarmos no Canhoso, fomos a Gibaltar e subimos por terra ao Alto de São Gião. Seguiu-se o Sarzedo e em Valhelhas já me apetecia parar num tasco. Conhecendo Valhelhas (à noite) de há uns anos atrás, garanti aos meus companheiros de que o que não faltaria era um café ou bares abertos. Enganei-me bem!! Tudo muito sossegado, bem ao contrário daquilo que estava à espera. No entanto o café do costume ainda estava aberto. 


Fomos à fonte e rumámos dali ao Fragusto. Começávamos a entrar na escuridão e a ganhar altitude. A iluminação das povoações em redor da serra começavam a ser as nossas maiores referências. A mais evidente durante esta subida era a vila de Belmonte.



Depois da subidinha de 8 ou 9 Kms, parámos no Fragusto para voltar a comer e para eu voltar a meter agua no cantil. Não sei porquê, mas estava a beber mais água que o normal. Teria sido do jantar??



Como se não bastasse a dureza prevista, em vez de irmos dali ao Gorgulhão, o Nuno estava com vontade de ir à Azinha. Lá fomos nós.



Depois de apreciar as vistas a partir da Azinha, começámos a descer para a portela do Sameiro, mas.... antes de lá chegar e para ajudar, o Nuno esqueceu-se da mochila na Azinha. A vontade era tanta de subir à Azinha de noite que lá foi duas vezes :)


Descemos ao Mondego, mais propriamente à Srª da Assedasse. Aqui é preciso ter sempre muita cautela com a canzoada que por ali anda à solta. Para nosso descanso, só os ouvimos ladrar e nenhum nos veio dar as boas vindas. Entrámos então no (absurdo, posso chamar assim?) asfalto que agora ali mora no coração da serra. Em asfalto (coisa inédita para mim) fomos até à Portela de Folgosinho e logo de seguida a bonita subida para a Santinha.


Durante a subida para a Santinha (subida que gosto muito de fazer), comecei a dizer mal da minha vida, isto porque as pernas não estavam nas melhores condições. Teria de fazer uma gestão cuidadosa do esforço, pois ali naquele sitio àquela hora, teria de me aguentar à bronca. A cada paragem nesta subida a paisagem tendia a melhorar. Já de dia também é isto que sucede. :)


Perto das 5 de manhã estávamos nós na Santinha. De qualquer forma estava satisfeitissimo, pela forma como a volta se estava a desenrolar. Pensava para com os meus botões.... 5 da manhã, são horas para estar chegar à Santinha??? Claro que são!!! 




Seguiam-se os 10 Kms pela crista da montanha rumo às Penhas Douradas. Ao olhar para trás já se dava conta do aproximar do amanhecer....
O inconveniente de passar aqui a esta hora é que a dona Judite ainda não abriu o estaminé.




No Vale do Rossim, fizemos mais uma paragem para abastecer. Seguia-se o caminho mais massacrante e que não me saia da cabeça desde o inicio da volta, a ligação Vale do Rossim - Lagoacho. Que porcaria!!! (a mesma de sempre).




Entretanto o sol mostra-se pela primeira vez. O algum frio que se sentia desde a Santinha, dava lugar à temperatura amena e agradável. 




Já bem de dia, estávamos na estrada para a Torre. Com passagem pela Lagoa Comprida e a um ritmo certo lá fomos subindo. Para minha surpresa, aqui senti-me bem melhor do que aquilo que estava a contar. Até mesmo o sono não me chateou durante todo o passeio. 


E bem de manhãzinha picámos o ponto na Torre. Restava descer para a Covilhã e dispersar cada um para sua casa.... GRANDE VOLTA.
Obrigado a estes amigos pelo excelente nocturno, que rendeu quase 120 Kms e um pouco mais de 3000 metros de desnível vencido!!! 


sábado, junho 07, 2014

Está cá o Greg :)


Já há alguns meses que tinha apontado na minha agenda uns dias em que dizia "Está cá o Greg". Ora, mas quem é o Greg?? O Greg acima de tudo é um amigo do outro lado do mundo.

Tudo começou em 2008 quando eu e os meus compinchas Coelho e Mané visitávamos a Patagónia, conhecemos este amigo e bem disposto australiano. Basicamente somente convivemos durante uns 10 dias, mas dali resultou a amizade. O contacto nunca se perdeu e de vez em quando em jeito de brincadeira lá lhe dizíamos que aguardávamos uma visita a Portugal. E foi este ano que o Greg decidiu aparecer. Veio para participar no passeio em BTT Madrid - Lisboa e veio uma semana mais cedo para dar conhecer Lisboa e passar uns dias connosco.

Este relato é do pequeno passeio que demos no coração da nossa Serra da Estrela. Serra que ele já conhecia por fotos e estava com muita vontade de ver ao vivo.


Começámos no Covão da Ponte.

O Greg, "apresentou-se" na Guarda com um casaco onde tinha constavam 3 símbolos, o de Portugal, o da Guarda e o do Clube de Montanhismo da Guarda. Já não me recordava, mas tínhamos sido nós a dar-lhe este "recuerdo" na Argentina antes de cada um regressar ao seu país.

Da Austrália, o Greg tinha-nos trazido um presente para cada um de nós, um jersey do seu clube o Wagga Wagga Cycling Club. E foi vestidos a rigor que demos este passeio pela serra.



Depois do Covão da Ponte, subimos à Cruz da Jogadas. Tínhamos começado a meio da manhã e o destino era almoçar na D. Judite. Até lá, fomos pondo a conversa em dia e apreciando as vistas, pois estava um dia fantástico com as cores bem vivas.







Desta vez não entrámos no asfalto junto à Pousada de São Lourenço, continuamos em terra de forma a passar no Chão das Barcas e mais à frente depois de atravessar estrada subimos pela floresta ao observatório.





Ao chegar ao Ti Branquinho fomos logo bem recebidos como é habitual. O Greg ficou abismado com aquele "hotspot" de reforço alimentar.


Mais que satisfeitos, seguimos o nosso passeio. Fomos à nascente do Mondego buscar agua fresca e tirar a foto de grupo, vestidos a rigor. A paragem seguinte foi o Vale do Rossim.




Voltámos ao vale do Mondego. O caminho fez-se na direcção do Covão de Santa Maria, mas em vez de descermos ao covão, fizemos meia-encosta de forma a não descer tanto. 





Este serpentear da encosta é simplesmente lindíssimo. O dia e as cores da época, estavam a ajudar à festa como dá para perceber pelas fotografias.




Atenção que este caminho não está sempre limpo como se vê nas fotografias. Só não me dei ao trabalho foi de tirar fotografias no meio das giestas... Se continuar com pouco uso para o ano está fechado com toda a certeza.


Seguiu-se um bocadinho à mão para descer junto do rio e apanhar o caminho da levada. Apesar de um pouco escondido, este trilho está marcado e pode-se encontrar mais informações no site dos Trilhos Verdes



Seguimos o percurso sempre à beira do rio até nos aproximarmos novamente do ponto onde foi a partida.





E lá chegámos novamente ao Covão da Ponte. Fizemos uns relaxados e bem dispostos 30 Kms. Nem só de voltas grandes vive o homem :)

E o Greg já conhece um bocadinho da nossa Serra da Estrela!


sexta-feira, maio 30, 2014

Que dor de dentes


Bem que podia ser dor de pernas!!!! Preferia!!!!

Para este sábado o amigo Rodolfo tinha lançado o desafio de ir virar à torre por Gouveia a partir de Girabolhos, essa bela localidade. 

Em termos de tempo, eu estava condicionado durante a tarde, razão pela qual não podia alinhar no programa completo, que terminava com o FastRecovery da região demarcada do Dão produzido e engarrafado pelo clã Feitor. Decidi então ir ao encontro da malta, fazer o que desse com eles e planear as minhas escapatórias de forma a chegar a casa perto das três da tarde.

Saí de casa às 7:00 e rumei às Pedras Lavradas, depois Loriga, seguiu-se Seia, Pinhanços e assim que cheguei a Rio Torto, esperei 5 minutitos e a malta apareceu. Valeu eles terem-se atrasado, ou então teriam de esperar por mim.

A melhor coincidência do dia, foi ter-me cruzado com os meus pais na estrada nacional, iam eles passar o dia a Loriga.

Percebi da pior maneira, que pior decisão que eu podia ter tomado, foi ter ido andar de bicicleta com dor de dentes...... A dor de certa forma "controlada" que tinha de manhã, foi piorando, piorando, até que na passagem pela Cabeça do Velho, tive de recorrer a um comprimido que tinha levado. Não aliviou durante muito tempo, mas foi o suficiente para me esquecer do dente enquanto estava a passar no Ti Branquinho e poder comer a minha sandes mista. O pior que ainda me podia acontecer, era passar aqui e não poder comer a minha sandes preparada pela dona Judite!!!! Pelo menos safei-me desse sofrimento.

(Foto tirada pelo amigo Serafim)

Depois desse "santo" abastecimento, atestamos os cantis com agua da nascente do Rio Mondego e descemos a Manteigas. Esperava-me novamente a minha terrível dor de dentes. O que tomei já não fazia efeito nenhum, estava condenado a aguentar até casa.

(Foto tirada pelo amigo Serafim)

(Foto tirada pelo amigo Serafim)

Nos Piornos separei-me dos meus amigos. Desci à Covilhã e eles foram como combinado picar o ponto à Torre. O Rodolfo tinha dito que só quem lá fosse acima era merecedor do melhor FastRecovery que ele tinha em casa. E assim foi ..... :)

(Foto tirada pelo amigo Pedro Quelhas)