domingo, julho 22, 2012

Guarda - La Alberca



No ano passado talvez no fim de semana que a malta andou a pedalar entre a Estrela e o Açor, em conversa com o João Pedro, ele sugeriu uma visita ao bonito pueblo de La Alberca, na vizinha Espanha. Da ideia inicial colocou-se nas actividades de BTT para 2012 do calendário do Clube de Montanhismo da Guarda uma actividade de dois dias "relaxados" até lá que o Mané tratou de delinear e reconhecer.


Assim, para este fim de semana juntou-se um pequeno grupo de 9+1. O "+1" prestes a ser pai, pedalou na nossa companhia até Leomil e depois voltou à Guarda, não quisesse a garota nascer com o pai enfiado no monte.


Saímos da Guarda perto das 8:00. O percurso estava definido pelo nosso Freixo e como não podia deixar de ser depois de passar pela Ima, subimos ao Jarmelo.



Apesar das cores amareladas, calor não havia muito a esta hora. A nossa Guarda estava a ficar para trás e a fronteira cada vez mais próxima.



No Jarmelo fizemos a primeira paragem pois havia quem nunca por aqui tivesse andado. A animação do grupo estava a começar a arranjar os temas de conversa para tooooodo o fim de semana. 


Do Jarmelo descemos a Almeidinha e apanhamos o caminho que nos levou directamente à feira de Pinzio. Já não é a primeira vez que isto sucede. No meio de tanta gente, fomos progredindo. Se em vez de plano isto fosse a subir era uma autentica simulação de uma etapa da volta com subida à torre.



Saímos de Pinzio, descemos à Ribeira das Cabras e passamos a ribeira ao São Gabriel. Normalmente a passagem de pedra está com mato ou com muito mato, mas desta vez fugiu a regra. Pela primeira vez encontrei isto tão limpo que deu para passar a pedalar.


Neste simples dia de oitenta e tal quilómetros, as dificuldades eram tão simples como ultrapassar a Ribeira das Cabras e o Rio Côa.


Após a Ribeira das Cabras, subimos ao Freixo onde fomos muito bem recebidos como não poderia deixar de ser. Ainda nos desviaram do percurso para provar uma jeropiga mas lá voltámos ao percurso traçado.




Do Freixo, fomos a Leomil onde o Miguel Coelho decidiu, iniciar o regresso a casa, isto porque a qualquer hora a garota (ou garoto, dizia ele...) poderia decidir nascer.






Descemos ao Côa, num local onde nunca tinha estado. Já por ali tinha andado mais acima ou mais abaixo mas passar por aquele caminho era a primeira vez. A subida do outro lado do rio parecia meter respeito, pois o dia estava agora com 30 e muitos graus de temperatura. Mas a subida que se vê..... não foi a que fizemos ;)



Desviados do caminho de Almeida, deu para contemplar esta bonita vila de outra perspectiva. O Rio Côa estava agora mesmo à nossa frente e a nossa passagem conseguia ver-se ao longe.



Seguiu-se a passagem pela Junça onde o Nelson, e o Zé marcaram golo e de seguida São Pedro do Rio Seco, terra de Eduardo Lourenço.



Como não vamos muito na conversa das barras energéticas (como lhes chamou o Quelhas), iguais às da carrinha da fotografia, reagrupamos à entrada da aldeia para ir procurar por bebida fresca e um sitio para comer uma sandocha.

No Largo do Quartel em São Pedro do Rio Seco, o prof. "Nelse" explicou a todos a razão de encontrarmos em tantas terras do nosso Portugal, tantas ruas e largos "do quartel" em terras que nunca tiveram um mesmo quartel. 


Estava feita a pausa para o almoço e a fronteira estava praticamente a 10 minutos de bicicleta. Assim que chegamos à beira de Espanha tivemos de passar a fronteira literalmente a salto pois o percurso que trouxemos tinha um portão fechado a cadeado. Da ultima vez que aqui passei (maratona de Almeida de 2008) não houve esse inconveniente.


Os marcos já eram uma constante no ultimo Km antes de pisar novamente o asfalto. Este que se vê na foto já se nota pela cor que é asfalto espanhol. Mas não fizemos esta recta por inteiro, pois o nosso caminho logo ficou de terra novamente assim que virámos à nossa esquerda.


Em La Alameda del Gárdon, passámos sem ver uma "viva alma". Paramos junto à iglesia para tirar uma fotografia, e não havia passagem que fosse silenciosa. Se não eram os injectores dos motores Renault, eram aos Audi TT, os jipes "bonitos", os carrinhos branco pérola. Enfim, tudo era pretexto para animar a volta....



No nosso caminho além das planícies espanholas de Castilla y Leon erguiam-se à nossa frente vários montes do mesmo maciço rochoso. A Sierra de Francia e a Sierra de Bejar estavam mesmo na nossa direcção.


Em Gallegos de Argañán, passámos sem ver ninguém. O vento era zero, a temperatura andava andava na casa dos 38 graus. Pode-se dizer que frio não estava....




Uns poucos mais quilómetros à frente, chegávamos nós a Ciudad Rodrigo, onde vimos pela primeira vez um espanhol desde que tínhamos passado a fronteira.




Esta bonita vila pode ser mesmo muito bonita, mas com o calor que estava o que o pessoal mais queria era água e não só. Eram 16:00 (PT), o tempo que tínhamos até chegarem as nossas tralhas optamos por o passar do lado de fora das muralhas..... 

... no camping La Pesquera onde dormimos e .....

.... nas aguas do Rio Agueda.

(foto capturada pelo Nelson)



Assim que o João Pedro chegou com o Sérgio Monteiro, montámos o acampamento, fez-se a manutenção as biclas, tomamos o segundo banho e com a orientação do Zé tratamos do jantar.

O Joca tratou de guardar logo a mesa....


E cedo a malta seguiu para as "camaratas". O dia seguinte iria ser mais curto em comprimento mas mais "alto".



Domingo iniciamos a nossa volta à beira do Rio Agueda.


Fizemos um pouco de asfalto "agricola"....


Passamos por montes de barras energéticas....


Em Agueda del Caudillo, o barulho ensurdecedor que saia de um tasco e o entusiasmo que um só gajo deu com berros e saltos à nossa passagem, denunciava que ali ainda era sábado e a noite ainda não tinha acabado às 7 da manhã de Portugal que corresponde a 8:00 em Espanha.



Novamente em terra, a planície estava agora para trás. Até chegarmos à beira da "serra do dia", tínhamos de ultrapassar alguns montes e "galgar" alguns vales.



Passamos por um "embalse" do Rio Agueda que nos permitiu trocar de margem.




Em La Atalaya paramos para retemperar as forças e olhar bem à nossa volta. Tinhamos uma subidita antes de descer a Serradilla del Llano para depois entrar numa zona bem escolhida pelo Mané, entrávamos ali na GR10.



Esta parte do percurso além de bonita, tinha alguma sombra, um riacho mesmo ao nosso lado e um sendero espectacular para andar tanto a pé como de bicicleta.




A foto de cima é da bicicleta do Quelhas, mas o primeiro furo do dia calhou ao Rato da Lezíria Ribatejana. 









Continuamos pelo percurso à beira da ribeira até entrar no estradão de terra que nos leva a Monsagro. Aqui o calor do dia fez-se sentir e bem. O facto de irmos a pedalar no vale, fazia com que estivéssemos protegidos de qualquer brisa.



Chegamos ao centro de Monsagro bem quentinhos. Felizmente o tasco na aldeia tinha para comer e beber e  o fontanário tinha agua fresca e boa o que não é muito comum em terras de nuestros hermanos.
Já cheirava a Peña de Francia, tínhamos aqui duas opções, continuar pelo calor do vale seguindo a GR10, sabendo antemão que teríamos uma ultima parte de carregar a bicicleta às costas ou fazer a estrada de asfalto que ao subir gradualmente seriamos mais bafejados pelo vento quer devido à altitude, quer devido à velocidade.



Seguimos então pelo asfalto. À saída de Monsagro uma placa indicava 17 Km para a Peña de Francia que eu até duvidei dado que avistava-se relativamente perto.



Fomos subindo. Esta fantástica subida aguçou o apetite para um regresso em roda fina que em breve será combinarada


Na foto de cima conseguimos ver o zigue-zaguear do trilho da GR10 a sair do vale. Também dá pena não o ter feito, mas deste lado também deu bastante gozo.



As vistas durante a subida era fabulosas, dignas de uma etapa da vuelta, que já passou por aqui algumas vezes.



O grupo desprendeu-se durante a subida fazendo cada um a seu ritmo. À chegada fomos reagrupando, a animação estava em alta. A subida foi tão espectacular que até o Zé que tem aversão a alcatrão estava satisfeito.



O cimo deste monte, com quase 1700 metros é um miradouro espectacular. Mais ainda porque à volta é praticamente tudo plano à excepção da Sierra de Bejar e Gredos mesmo ali ao lado.











Visitamos o Santuário da Virjen Negra da Peña de Francia, a gruta onde foi encontrada, o mosteiro, etc.



(foto do Nelson)

Também aqui passa um caminho rumo a Santiago de Compostela, a conhecida via da prata que vem do Sul de Espanha, sobe aqui a este lindo local.



Finalmente vi o miradouro de Santiago que há uns anos o meu amigo Ferrão me deu em fotografia. Esta imagem bem característica do local à muito que me era familiar, mas ainda não era conhecida 




Depois de mais de uma hora bem passada no cimo do monte, depois de apreciar a paisagem, depois de comer e beber, restava descer a La Alberca.


Relógio Solar e Cisterna

La Alberca à vista

Salamanca à vista

Bem mais bonito este miradouro do que qualquer outro com uns binóculos com ranhura para inserir moeda....



Se se pensava que o pior estava para trás, engane-se....




O caminho que fizemos a descer era muito acidentado e obrigava a tomar cautelas extra.





Por vezes tínhamos troços mais acessíveis, outras vezes as pedras tomavam conta do caminho novamente. Nada que não se fizesse, mas psicologicamente desgasta um pouco.


Se o Rato já tinha dado uso a câmara de ar suplente, nesta descida calhou essa sorte a mim, ao Zé e ao Nelson numa parte de asfalto. Pode-se dizer que basicamente furos, só ouve um, o do Nelson, todos os outros eram vistosos "lanhos" nos pneus.







Eu já andava a desconfiar que estes pneus comprados em Maio, já estavam a durar muito dado o tipo de pneu que é (pneu tipo leve), cada vez mais me convenço que o barato sai caro e cada vez sou mais fã dos tubeless Continental ou Maxis, pesados mas sem nunca precisar de usar câmara de ar. É gastar até ao fim! Valeu que na mochila trazia uma embalagem bem resistente daquelas compotas da decatlon. Senão nem a câmara de ar se segurava dentro do pneu e muito menos num percurso daqueles.


Chegamos a La Alberca pela zona mais portuguesa de lá (digo eu), pela rua da casa do portugues.




Enquanto a malta deu uma passeata por La Alberca a minha irmã e a minha prima já estavam à minha espera para ajudar na logística e me trazerem de novo a Ciudad Rodrigo.

(foto Nelson)

(foto Nelson)

Passadas duas horitas já estava tudo pronto para o regresso à cidade mais alta de Portugal.


Mais uma foto do Nelson, sempre atento.....

E assim foi mais um fim de semana de BTT, 5 estrelas e animado como não poderia deixar de ser. Para trás ficaram quase 150 Kms, uma dose qb de subida, muitos injectores Renault, publico alvo dos Audi TT, jipes de gaja, carros branco pérola, furos, trilhos, boa disposição e muita musica de fundo adequada a cada tipo de percurso. Valeu a pena. Obrigado a todos.

Estas e mais algumas fotos aqui.


domingo, junho 24, 2012

180 à volta da Estrela


Sábado foi dia de tirar o mofo à asa com um fim de tarde de voo "à Linhares da Beira". Para não variar já não voava à mais de meio ano e cada vez que apareço por estas bandas a malta fica admirada. Já lá vai o tempo que a admiração era não estar... Mas está visto que a Fusion..... ainda marreca bem :)
Esse fim de tarde de ontem, terminou com uma francesinha do Digujá, com a Diana, o Coelho e o Ferrão. 

Como este petisco é normalmente depois de uma boa volta de bicicleta, fiquei com a volta em falta, mas para domingo a minha ideia já era dar uma volta boa em alcatrão. 

Como estava com  vontade, a volta tinha obrigatoriamente que ter mais de 100 Kms e tinha que sair bem cedo para evitar o calor que se previa para hoje

Não saí às 5:00 como queria, mas às 7:00 estava a sair de casa. Ainda indeciso para onde ir decidi começar até às Pedras Lavradas, estrada que gosto muito de fazer em qualquer dos sentidos.

 Serra da Estrela ao fundo

 Mostra de Espantalhos em Unhais da Serra

Depois de Unhais da Serra apanhei uns brincalhões a brincar com uma pinha no meio da estrada, mas mal voltei atrás para registar o momento com uma foto fugiram por um pinheiro acima.

Esquilos 

Nas Pedras Lavradas tinha de decidir o que fazer, o descer ao Sobral de São Miguel, rumar à Vide ou virar para Loriga. Decidi-me por Loriga e decidi também dar a volta à Serra da Estrela, uma volta que em Abril estive para fazer com o Coelho, Quelhas, Ricardo Marques e Ricardo Reis, mas que abortamos no Porto da Carne com muito mau tempo, chuva, frio e todos molhados. Mas hoje o dia era bem diferente.

 Pedras Lavradas

Outra encosta da Serra da Estrela  

Vistas para os lados do Açor 

 Passagem por Alvoco da Serra

 Alvoco da Serra

 Monte Colcurinho à vista

Um gajo da Guarda 

Uma perdiz a apreciar as vistas 

Assim que passo o cruzamento do Fontão aparece-me Loriga. Parei no mirante 5 minutos para contemplar estas vistas que bem conheço e que nunca me canso de ver.

 Sempre linda, Loriga.

A Leta estacionada no mirante 

Não precisava de água pois ainda tinha bastante, mas agua de Loriga é agua de Loriga. Parei então para trocar a agua dos cantis na fonte da casa do guarda.
 
Agua boa da serra


Às 9:00 estava a passar Loriga e o próximo destino seria Valezim, São Romão e Seia.

 Passagem pelo Malha Pão

 Cruzamento da Lapa dos Dinheiros

Na estrada 

 Descida para a Ponte de Juncais

 Ponte de Juncais

 Igreja Matriz de São Romão

 Rotunda em Seia

 Seia

Entrei na estrada da beira (nacional 17) onde o trafico rodoviário já não permite tanta fotografia. Não reparei quantos quilómetros já levava, mas às 10:00 estava a passar por Pinhanços.

Nos arredores de Gouveia 

 Vista para o São Tiago e Santinha

Folgosinho à vista 

Linhares da Beira sem ninguém no ar 

Celorico da Beira 

Depois de Celorico começava a subida "aos poucos". Passagem pela Ratoeira, Lageosa do Mondego, Vila Cortês do Mondego, Porto da Carne.

Lageosa do Mondego 

E é no Porto da Carne que a subida se acentua e o calor também. Na Lageosa meti água, mas não era muito fresca de maneira que no Soito do Bispo meti agua bem fresquinha.

 Chafariz do Soito do Bispo

Mizarela 

 Barragem do Caldeirão vista dos Chãos

Cheguei à Guarda um pouco antes das 13:00. Em vez de ir directo para a Covilhã, liguei ao Mané para me fazer companhia a beber uma coca-cola na alameda.

 Sé da Guarda

Na Alameda de Santo André 

Na Alameda de Santo André come-se normalmente uma boa sandes de leitão, mas hoje não havia. Em substituição comi uma bifana que custou o preço de duas sandes mistas do Mondeguinho.

Como se estava bem à sombra e na conversa parei por ali uma hora na companhia do meu primo Mané. Só às 14:00 é que me fiz à estrada. A parte mais fácil da volta tornou-se a mais difícil graças ao calor.

Rotunda do G

A descida da Santa Cruz para a Vela estava muito, mas muito quente como nunca ali tinha sentido. A descer sempre acima dos 50 Kms/h por vezes passava em zonas de calor que quase me deixavam zonzo.
Claro que o resto da viagem não foi mais fresco. Mantive um ritmo certo e mais lento para não abusar, pois nem agua conseguia beber de tão quente que estava.

Assim que passeio pela Srª do Carmo já só pensava numa bebida fresca e um banho de agua fresca também.

Passagem pela Srª do Carmo

Assim que cheguei ao Tortosendo, fui directo ao "Mais um café", simplesmente conhecido como "mais 1" para de imediato beber uma cola carregada de gelo. Estavam feitos 180 Kms, à volta da Serra da Estrela.

Seguiu-se o banho de agua fresca e sem dar por isso... uma pequena "siesta".