quinta-feira, julho 01, 2010

Loriga-Fajão-Lousã-(Coimbra)


Comecei a pedalar em Loriga. Levava na cabeça e "alinhavado" no gps algumas hipóteses e algumas alternativas para onde ir.


As vezes é preciso ser um pouco mais persistente para não mudar de ideias muito rapidamente. Subi ao Santuário da Srª da Guia e entrei em terra para fazer a ligação com a Cabeça pelo caminho que cruza a calçada romana e passa junto ao caixão da moura. Ainda não pedalava à 15 minutos quando a seguir a um solavanco da bicicleta, ouço o ar do pneu a esvaziar rapidamente e quando olho para trás ainda vejo uma pedra bicuda a rebolar pelo caminho a rir-se de mim.


A única câmara de ar suplente que levava, já estava assim a uso, pois o buraco no pneu era tão largo que o liquido do tubeless de nada serviu. Meia hora depois estava novamente a pedalar, mas o pneu de trás estava novamente sem ar. Afinal a camara de ar nova, tinha um furo. Enfim, fartei-me de dizer mal das câmaras de ar da decathlon, mas não tive remédio senão remendar para prosseguir. Novamente de volta ao trilho e não demorei a chegar à Cabeça e logo depois Casal do Rei.

Cabeça

Casal do Rei

Cheguei à Vide, atravesso a ponte da Ribeira de Alvoco e rumei na direcção de Baloquinhas, começava aqui a subida do dia. Uma etapa à moda da transpirinaica, pois nesta subida de cerca de 10 Kms vencia-se 1000 metros de desnível.

É tudo 4x4!! E 2x1, não pode ser??? :)

O que me andou a moer o juízo durante o dia foi mais uma vez o pneu de trás, pois a câmara de ar novinha que meti, perdia ar e a cada meia hora tinha de para para dar à bomba. O pipo parecia ter defeito e perdia ar. Mesmo assim, a suspeitar da forma de como correria o dia com este problema fui pedalando, dando à bomba e pedalando.


A subida foi feita sempre ao lado do conhecido monte Colcurinho que no ano passado visitei a correr e de bicicleta.
Sempre na direcção do marco geodésico Gondufo, fui subindo. Se estava a contar em andar por aqui sozinho, enganei-me bem. Houve alturas que parecia que estava a passar num estaleiro tal é o movimento de retro-escavadoras, camiões de cimento, etc... Está visto que esta vai ser a próxima zona infestada de eólicas.


Monte Colcurinho e aldeia de Gondufo

A darem queixas da falta de sossego

A subida continua

Ao longe ainda conseguimos distinguir a Catraia de São Paio (Oliveira do Hospital)


No fim da subida as vista mudam. Além das vistas para a Beira Alta e Beira Litoral, passei a ter as vistas sobre a Beira Baixa. Neste local, mais precisamente um pouco ao lado do marco geodésico Gondufo cruzam-se três distritos, o da Guarda de onde eu vinha, o de Castelo Branco, o de Coimbra para onde eu estava a ir.

Caminho percorrido marcado a vermelho
Limites dos distritos marcados com + - + - + - +

A Norte, novamente o monte Colcurinho, onde está localizada a capela da Srª das Necessidades que também dá o nome ao marco geodésico que ali fica.

A Sul a Serra da Cebola, visitada na volta Canhoso-Benfeita, agora com um novo caminho onde se vêm os aerogeradores.

Continuando o meu caminho pela crista de forma a poder desfrutar de tal pujante subida, fui "picar o ponto" ao São Pedro do Açor.


O calor não dava tréguas e já se pedia algum vento para refrescar um pouco. Não pedia tanto vento como aquele eu dobrou estes postes, bem mas com os tempos que correm, também já nem tenho a certeza se foi vento outra força qualquer.

A titulo de curiosidade, na linha de água que fica por baixo das eolicas, nasce um afluente do Mondego bem conhecido, o Rio Ceira.

Deixei o cimo da Serra do Açor e comecei a descer na direcção da Malhada Chã.



A descida para a Malhada Chã fazia-se rapidamente, pois o piso encontra-se em bom estado. As únicas paragens foram mesmo para meter ar no pneu. Na Malhada Chã entrei em alcatrão e fui por ali até à Covanca.


O Rio Ceira ainda bebé

Na Covanca tive de procurar abastecimento. A água que eu tinha já estava quente e precisava de beber um sumo fresco e comer mais qualquer coisa. A ultima vez que tinha passado na Covanca também foi de bicicleta. Ia na companhia do Mané e do Coelho, vínhamos do Piodão e íamos para Castelo Novo.

Depois de me abastecer na Covanca fiz a subida na direcção do cruzamento da Cebola. A meio da subida já se avistava a pequena albufeira da Barragem do Alto Ceira.

Ao fundo o Rio Ceira

Trazia a vontade de subir ao cimo da Serra da Cebola, pois com mais uns 3 ou 4 Kms estava junto ao marco geodésico. A verdade é que já desesperava cada vez que tinha de dar à bomba.

Mantive-me na crista, por vezes a rolar em alcatrão. Aqui optar por 100% terra era perder um pouco das vistas, pois tinha de optar por uma encosta ou outra.

Ceiroco

Movimento aqui para estas bandas é coisa que não falta. As carrinhas das empresas dos aerogeradores estão sempre a a levantar pó de um lado para o outro.



Mais uns quilómetros à frente e já conseguia ver a albufeira da barragem de Santa Luzia. O desvio para fazer a visita também decidi não fazer, pois no mínimo tinha de dar à bomba umas 7 ou 8 vezes durante o desvio.


Passei o cruzamento do Fajão, pois achei que ainda era cedo para parar e trazia na cabeça ir directo para a Lousã, pois lá encontraria certamente uma loja para comprar uma câmara de ar.


Mesmo à beira da estrada o marco geodésico Covo (937 metros)

Ao segundo cruzamento para o Fajão, decidi virar. Sabia que tinha restaurante para jantar e se houvesse dormida já ficava por ali o resto do dia.

Pormenor interessante na chegada ao Fajão que me esqueci de esclarecer. Será uma vieira de Santiago de Compostela? Tenho de lá voltar para esclarecer.

Chegada ao Fajão



Não foi preciso muito tempo para ver onde era o restaurante e para dar com o alojamento. O restaurante onde ia jantar é nada mais nada menos que o "Juíz de Fajão" e para dormir tinha a Residencial "A Cadeia", uma antiga cadeia do tempo em que esta localidade foi sede de concelho no até meados do século XIX.


Já estabelecido, decidi deitar mão a obra para tentar perceber o que se estava a passar com a câmara de ar. Aproveitei a existência de uma fonte com uma pequena pia, junto à igreja e reparei o furo vinha exactamente do buraco que tinha o remendo em cima. Estava novamente furado.

Com um pico destes não há remendo que aguente.

Depois de ter a bicicleta sem problemas e a andar novamente, dei uma volta pela aldeia.

Museu

Pormenor das ruas

Pormenores

As eólicas são uma constante

Vistas para o vale

É engraçado vir até estes lados. Recordo-me de vir aqui com o meu pai em trabalho, pois o Fajão ainda faz parte da rede de telefones de Arganil. Lembro-me inclusive de passar no alto do Fajão uma etapa do Rally de Portugal que vim ver com o Tó-Zé, aproveitando a boleia do meu pai que estava ali de serviço.

O edifício da estação automática da Telecom continua a operacional. Os Correios onde a minha mãe foi colocada a trabalhar no inicio dos anos 70 foi transformado em Centro de Dia.

Percursos pedestres

Largo da Igreja

Interior de uma maquina de lavar de outros tempos

Becos da aldeia

A piscina que só dei conta dela ao fim da tarde

Varandas

Dentro da Cadeia

A estadia no Fajão foi excelente. Acabei por passar um bom resto de tarde, jantei muito bem no "Juiz de Fajão". Só não caiu bem o resultado do Portugal-Espanha, mas todos os males fossem esse. Desporto não é só futebol, nem tão pouco é a única selecção que temos. Há que torcer por todas.

No dia seguente acordei e tomei o pequeno almoço num pequeno café e fui à procura de água fresquinha para levar de viagem. Ouvi falar de uma que até vem gente de fora buscar garrafões e foi mesmo nessa que enchi o camelback.


Para não ir directo rumo à Serra da Lousã e visto que já não tinha de andar a tirar a bomba todas as meias horas, decidi voltar um pouco atrás para visitar a barragem de Santa Luzia.

Sempre com rede


Vidual


Depois de passar pelo Vidual, desci ao Vidual de Baixo e entrei no caminho que vai dar ao paredão da barragem.



Esta zona é lindíssima e é tudo muito imponente. Lembro-me de vir aqui há muitos anos.





E depois de estar um pouco no local, regressei ao percurso original.

Tantas vezes me lembrei desta fonte durante o dia.


Antiga casa florestal.


Do cimo destes montes conseguimos avistar caminhos bem interessantes nos vales ao lado. Este é um deles, nele estão terrinhas como Malhada, Caroma, Bouças, etc...



O primeiro marco geodésico foi este, de nome Caveiras a 1038 metros de altitude, onde estavam militares da GNR a operacionalizar as comunicações do posto de vigia.



Uma coisa dá para concluir acerca do tráfego automóvel nestas paragens, 70 % dos veículos são os comerciais ligeiros das empresas dos aerogeradores. A seguir os carros que mais se vêm são dos padeiros ou do carteiro e pouco mais movimento se vê.


Continuando na crista da serra, desci ao cruzamento para o Braçal. Seguia-se mais uma subida neste corrocel de sobes e desces dos caminhos alargados para a construção destes parques eólicos.

Alminhas no cruzamento do Braçal

No cimo de mais uma subida cheguei ao marco Malhadas com pouco mais de 1000 metros.

Malhadas

Já levava quase 40 Kms debaixo de um calor intenso e ainda não tinha passado em nenhuma terra, em nenhuma fonte. A ultima tinha sido mesmo aquela junto à Barragem de Santa Luzia.


Assim que cruzei novamente o alcatrão, decidi fazer um desvio em busca de local para abastecer.


Depois desta capela virei à esquerda em alcatrão, numa descida que me levou a uma pequena aldeia chamada Cabeçadas. Logo encontrei um cafézinho chamado "Alto da Serra". Deu para comer uma bifana e abastecer de líquidos.


Além de encher o camelback com agua, não podia facilitar :)

O alcatrão durou pouco, pois cerca de 1 Kms à frente pude novamente entrar em terra. O Trevim (ponto mais alto da Serra da Lousã) já se via à muito mas só aqui deu para se distinguir na maquina fotográfica.

Ao longe as antenas do Trevim


Enquanto subia na direcção do Santo António da Neve, aparece-me uma "lingua" enorme de alcatrão. Fiquei surpreendido, pois não estava a contar com aquilo no meio do nada. Era nada mais nada menos que uma pista de aviação. Localizada a 1100 metros de altitude e penso que servirá de apoio a incêndios, pois encontrei alguns tanques de água junto à pista.


Posto de Vigia ou Torre de Controlo?

De um lado a pista

Do outro lado o Trevim

Desde a pista até ao Trevim ainda tinha de descer um bom bocado e voltar a subir outro tanto. Na descida passei ao lado da capela de Santo António da Neve e um poço coberto. Este local já pertence ao Concelho de Castanheira de Pêra, que por sua vez já faz parte do concelho de Leiria.

Poço

Capela de Santo António da Neve


Esta parte do percurso entre o marco geodésico Neve e o Trevim, delimita os distritos de Coimbra e Leiria.

Caminho percorrido marcado a vermelho
Limites dos distritos marcados com + - + - + - +


Trevim, já faltava pouco

Para o "ataque" ao Trevim surgiu uma hesitação. Tinha mesmo à minha frente um caminho bem inclinado (para fazer à mão) e tinha uma alternativa ciclavel à direita, que ia descer mais um pouco e depois teria uma subida talvez idêntica. Decidi subir logo o que tinha a subir!


Quase no fim dessa subida, olhei para trás e estava de novo à altitude da capela de Santo António da Neve. Aqui conseguimos ver bem o caminho que delimita os dois distritos.


Mas o mais estranho estava para vir. O caminho que eu trazia acabou e o Trevim estava preso! Desconhecia tal aprisionamento. À volta de todo este aparato de antenas, existem duas cercas paralelas à volta de todo o cume. Mas tudo isto parece de outros tempos, pois está tudo muito enferrujado e na maioria dos sítios, a rede ou não existe ou esta no chão.

Quase se parece com um campo militar

Tentei não invadir o espaço e contornar a vedação pelo meio do mato. Mas depressa desisti tal era a dificuldade em progredir. Atravessei até zona pavimentada mais próxima de forma a apanhar o caminho normal que vem até aquele centro de comunicações.

Olhando para trás


Trevim

Já conseguia ver a Lousã e estava prestes a começar a vertiginosa descida. Se tivesse encontrado outra alternativa tinha descido por algum caminho menos inclinado, de forma a fazer render mais a descida e apreciar as vistas.


Ainda encontrei algumas zonas de sombra, mas depressa cheguei a Lousã. Fui directo à Pousada da Juventude, mas estava lotada. Encontrei a estação da CP, mas sem carris, pois anda em obras. Liguei o Ricardo para saber se conhecia alguma coisa por ali, mas a verdade é que tinha ficado sem vontade de ficar na Lousã.


O Ricardo informou-me da Pousada da Juventude e Coimbra, no centro da cidade e informou-me também do comboio regional para a Guarda. Não me estava a apetecer pernoitar numa zona urbana e como tinha 1 horita para ligar Lousã a Coimbra arrisquei pela estrada da beira. Cheguei na hora H como se costuma dizer, assim que estava a passar a frente de Coimbra A reparei que o comboio ainda lá estava e não o deixei fugir. As 21:10, estava eu a chegar à cidade mais alta. :)

Volto a frisar este excelente serviço da CP. Das ultimas 10 vezes que usei o comboio, 8 delas foi sempre com a bicicleta atrás.

Resumindo, lá se passou mais uma volta 5 estrelas. Se vinha com uma ideia de reconhecimento de algumas zonas, acabei o passeio com a ideia da actividade relaxada que faremos por aqui com o Clube de Montanhismo da Guarda.

domingo, junho 27, 2010

Um dia bem passado...


Domingo foi dia de convívio com a "primalhada" no Covão da Ponte. Um lugar muito agradável, muito tranquilo e muito sossegado no coração da Serra da Estrela, junto ao Rio Mondego, ali ainda muito bebé.


Há muito que a minha irmã andava com vontade de ir até lá de bicicleta e assim juntámos o útil ao agradável. Saímos da Guarda passava um pouco das nove da manhã e rumámos à serra de bicicleta.


De casa subimos à cidade e descemos ao Caldeirão por Vale de Estrela. Estava escrito que era na subida/descida do Caldeirão para Vale de Estrela que seria o sitio onde iria conhecer o António Santos. Um companheiro do pedal de Famalicão que mora em Lisboa e que com visita com frequência os passeios que fazemos por estes lados. António, para a próxima temos de pedalar no mesmo sentido :)


Assim que eu e a Catarina chegámos ao Caldeirão fizemos o caminho ao lado da ribeira até ao alto de Famalicão e até ao Fragusto fomos pelo caminho habitual do planalto.


Chegados ao Fragusto apanhámos uma boa surpresa. Além da mata do Fragusto grande parte do matagal em seu redor está a ser limpo. Para proteger as nossas florestas isto deveria ser feito em muitos mais sítios.


Do Fragusto avistava-se a Azinha. A Catarina nunca tinha passado daqui, mas hoje estava cheia de vontade e a verdade é que depois da volta de ontem hoje portou-se muito bem.



Na subida para Azinha, deu para reparar no trabalho que está a ser feito por estas bandas.


Não me lembro desta zona estar com este aspecto.




Fomos marcar presença à Azinha, hoje desprovida de parapentistas. Não era por menos com as nuvens que tão cedo se estavam a formar o dia prometia ser mais que violento.



Descemos para o cruzamento do Sameiro e subimos para a encosta Oeste do Corredor de Mouros.




Por esta altura ainda tudo se mantém bem verdinho e nos dá um conjunto de contrastes muito agradáveis de ver.


Já na zona do Mondego, as zonas cultivadas dão outro aspecto a estas encostas.





A próxima vez que aqui passar, seja em que sentido for vai ser para ir à Srª da Assedasse, pois já não passo lá há alguns anos. Como é uma zona muitissimo frequentada por rebanhos e não gosto de incomodar quem os guarda....



Com esta vista sobre o Rio Mondego ainda com poucos metros de vida, fomos até à Cruz das Jogadas onde podemos avistar outro rio ainda bebé, que nasce nestas encostas da Serra da Estrela, o Rio Zêzere.


O vale glaciar visto de um lado menos conhecido:


Restava-nos fazer um pouco de descida e rolar até ao Covão da Ponte.



Chegamos um pouco antes das 13:00 e num instante juntou-se toda a gente para o almoço. A trovoada passou a tarde a cantar e ainda nos enviou umas pingas enquanto estávamos à mesa, mas nada que nos tirasse uma tarde bem passada.



O Kiko e a Julia andaram sempre de volta da "cabana" do Tio Mané.


Jogou-se à bola, mas o menino Kiko é um batoteiro de primeira categoria.









Dá para perceber pela fotografia que ali se passou uma tarde 5 estrelas. E a juntar a uma voltinha de 40 Kms bem puxadinhos melhor ainda. Venham mais destas e como disse.....com mais gente...