domingo, março 04, 2012

Amendoeiras 2012


Com já é habito há muito tempo, o Clube de Montanhismo da Guarda, organiza por esta altura do ano uma caminhada por terras de amendoeiras que normalmente estão em flor nesta época e dão às encostas uma tonalidade branca e rosa.

Também já vem sendo hábito que no dia anterior à caminhada fazemos um passeio de BTT com o intuito de pernoitar num local perto do inicio da marcha e com isso ter dois bonitos dias de actividade. 

E foi o que na realidade aconteceu.....


À semelhança de 2010, fomos da Guarda até Pinhel por asfalto para não "hipotecar" o final da actividade dado que nesta altura do ano, os Kms nas pernas são poucos e já que nesta zona "à volta" da cidade mais alta temos mais oportunidades de pedalar durante o ano.


Trazíamos um plano idêntico ao de 2010, mas com a possibilidade de algumas alternativas de visita. Descemos à Ribeira das Cabras, passámos a ponte e entrámos finalmente em terra batida. Como já levávamos aqui uns calmos 30 Kms, estava na hora da primeira paragem para "comes e bebes".




Este troço basicamente servia para "pular" do vale da Ribeira das Cabras, para o vale do Rio Côa. Iamos todos com uma vontade enorme de entrar por aquele vale de grande pedras onde o caminho assenta. Verdade seja dita, já tínhamos antecipadamente memorizados os locais ideais para as paragens onde as vistas e as fotos nos arregalavam mais o olho.





Com a Serra da Marofa mesmo em frente íamos descendo para junto da margem do rio. Da forma como o dia estava a decorrer, estava tudo encaminhado para uma visita.







Descemos, descemos e entrámos em alcatrão na conhecida excomungada que liga Pinhel a Figueira de Castelo Rodrigo. Usámos a ponte para passar o rio e virámos à direita rumo a Bizarril.



Em vez de tomarmos a direcção de Castelo Rodrigo como fizemos em 2010, tomámos a direcção do Colmeal, que há algum tempo tinha curiosidade em conhecer.




Esta pequena aldeia ao abandono, guarda uma história triste. Em meados dos anos 50 os seus habitantes, foram despejados por ordem judicial. Famílias inteiras foram expulsas de suas casas e obrigadas a começar uma nova vida a partir do zero. Eu poderia contar aqui toda a historia, mas deixo isso para os mais curiosos que queiram pesquisar mais informações sobre a história desta aldeia. Vale a pena a visita? Vale sempre! Nem que seja para meditar sobre o que realmente levamos desta vida. Assim está uma aldeia, que há 50 anos tinha gente, tinha vida, era sede da freguesia e hoje se resume ao que vemos nas imagens...
A freguesia Colmeal  ainda hoje existe no município de Figueira de castelo Rodrigo, mas a sua sede é agora na aldeia Bizarril. 




Paramos para abastecer pois o passo seguinte não era voltar atrás, mas sim atravessar a Marofa. Com a malta animada e bem disposta e de barriga cheia estavam as condições reunidas para começar a subir.





E já que estávamos aqui tão perto de tão bonito miradouro, subimos lá acima para contemplar a paisagem.


Castelo Rodrigo




Aos poucos fomos todos chegando ao ponto mais alto da Serra da Marofa. O céu estava constantemente com ar ameaçador, mas chuva ainda só mesmo em previsões. Não há palavras para descrever o que se avista daqui, a juntar o facto de estarmos entregues a nós próprios na companhia de amigos e a passar o excelente dia de passeio em bicicleta.







Como não podia deixar de ser o grupo, na companhia do Cristo Rei, tirou a foto da praxe. Da esquerda para a direita, estou eu, Zé, Gonçalo (que veio de Lisboa para alinhar connosco), Miguel, Mané, Joca, Joaozito, Nelson e Coelho.


A descida foi feita pela via sacra que tinha conhecido na semana anterior, no passeio organizado em Figueira de Castelo Rodrigo.





Descemos para Figueira de Castelo Rodrigo, direitinhos à feira. Não encontrámos a feira, mas encontrámos o novo edifício onde agora se faz o mercado.

Uns foram às cavacas...

Outros, não fizeram a coisa por menos, pão, chouriças e coca-cola....



Abandonámos a feira e iniciámos a descida para Barca d'Alva.





A passagem pela Ribeira de Aguiar foi feita de maneiras distintas e aqui usámos o percurso da caminhada do ano passado.



O Zé, mais uma vez incansável nunca deixa ninguém para trás. Podia esperar? Até podia, mas não era a mesma coisa. Foi assim que conheci este amigo, na 1ª maratona de Pinhel em que as pernas não colaboraram, mas houve uma malta incansável e paciente que não me deixou para trás. 




A descida continuava e a imponência das encostas à beira do douro estavam a aparecer à nossa frente e a descida ia-se fazendo a um ritmo mais lento, pois as paragens eram uma constante para poder tirar fotografias e apreciar as vistas. O dia somente registou um incidente, a "burra" do Koelhone, andou aos coices e atirou com o dono para fora do caminho, sujando-lhe de pó a bonita fatiota. 










Estávamos a chegar a Barca d'Alva, as amendoeiras e oliveiras davam lugar a vinhas. A animação do grupo dava lugar a comportamentos só descritos em fotografia. Se no Colmeal um pupilo do José Hermano Saraiva deu uma pequena lição de história, aqui havia no ar um sentimento fotográfico reciproco (chamemos-lhe assim).


Olha os passarinhos....

Os homens da feira.....


Guardámos a visita a Barca d'Alva para domingo, pois haveríamos de voltar a passar e fazer a visita à feira do Almendro. Seguimos para a outra margem na direcção da ribeira do Mosteiro.


Rio Agueda






O grupo, entrava aqui numa "nova dimensão". A zona da calçada estava à nossa frente, o tempo estava a ajudar pois o céu continuava a ameaçar, mas sem chuva. Estávamos dentro do tempo e nem foi preciso pensar duas vezes que iriamos pela calçada de Santa Ana. Da próxima vamos à de Alpajares.




O primeiro a descer foi o Joaozito que continua a mostrar que é um miúdo todo-terreno. Tenho dito muitas vezes que que de "zito" já tem pouco pois é mais um Joãozão. Mas para mim e apesar de tudo isso é o Joãozito.
Degrau atrás de degrau, umas vezes montado outras vezes a puxar pela bicicleta à mão, o grupo foi progredindo pela calçada fora.









Entrámos em terra batida após a calçada e formos até Poiares já na companhia de alguma chuva.






Chegados a Poiares e já com chuva a começar a cair, parámos para decidir o rumo a tomar. O pequeno Ricardo, uma amizade feita em minutos, é um conhecedor das calçadas das redondezas e contou-nos algumas das aventuras que por lá passou. 

Decidimos então fazer este ultimo desvio, ir ao Penedo Durão. Mesmo que estivesse a chover torrencialmente  valia sempre a pena, até porque o fim estava perto.
Confesso que até tinha receio da volta não chegar aos 100 Kms caso não fossemos ao Penedo Durão, principalmente pelo Joãozito que fazia a estreia nos três digitos do conta kms.





No Penedo Durão só tivemos tempo de tirar a fotografia de grupo e rumámos a Freixo de Espada à Cinta debaixo de chuva. Nota-se bem nas "fuças" do pessoal que o tempo já não estava lá muito famoso para ali estarmos parados.

Terminamos a nossa aventura com 108 Kms em Freixo de Espada à Cinta.

Com o Pissarra já à nossa espera, fomos bem recebidos no pavilhão e o apetite estava mais que apurado. Como não podia deixar de ser, fomos ao local de 2010, ao restaurante E.T.C, comer uma posta que só com uma fotografia podemos dar uma ideia do manjar....

Mais bem tratados não podíamos ter sido. O Coelho pediu gelo para colocar na mazela da mão e trouxeram gelo e hirudoid, o Nelson estragou o fecho do colete trouxeram-lhe um alicate, o Miguel estava sempre a mandar o talher para o chão e à 2ª trouxeram-lhe um kit de 3 facas para as próximas. Resumidamente, a simpatia e a forma como fomos recebidos e tratados, trouxeram-nos novamente aqui no domingo para tomar o pequeno almoço e vão levar-nos lá novamente sempre que andarmos por estas bandas.

Foto tirada por quem estava à frente do Koelhone :)


Para todos dormirmos sossegados, as biclas dormiram num canto e nós no outro. À noite as "rainhas da noite" foram até à zona verde e no dia seguinte soubemos do milagre, o homem da hérnia estava curado.

Para não ser necessário vir o jipe buscar-nos de propósito, decidimos pegar nas bicicletas, vestir os trajes domingueiros, proteger as calças da corrente para a mãe não dar "tau-tau" e descer os 20 Kms para Barca d'Alva. Precauções tomadas como a imagem elucida, iniciamos a nossa viagem com algum vento pela frente.


Tão lindos....




Demorámos quase uma hora a descer. Ao chegar a Barca d'Alva arrumamos logo as bicicletas e de imediato começámos a caminhada. O autocarro dos caminheiros estava no ponto de partida e nós já levávamos algum atraso para eles.
O percurso escolhido pelo Costa e pelo Ermesendo estava espectacular, pois proporcionou-nos umas vistas fantásticas. As imagens falam por si....
























E nada melhor que acabar a caminhada num pic-nic familiar. Esta família que é a do Clube de Montanhismo da Guarda está de parabéns.



Ainda tivemos a bonita coincidência de encontrar o companheiro Carlos Gonçalves e a malta de Figueira de Castelo Rodrigo, que estavam a fazer o regresso de mais uma voltinha de BTT para os lados do Penedo Durão. Com dois dedos de conversa e depois de meter combustível igual ao que o Mané mostra na foto, seguiram viagem. :)



Foi a nossa vista ao Parque Natural do Douro Internacional, a terras de amendoeiras. Obrigado a todos pelo excelente fim de semana.

7 comentários:

Ricardo Marques disse...

Temos de acertar o calendário para eu poder alinhar para o ano, com a contrapartida de vocês virem empenar comigo a correr no Xisto!
5 estrelas a actividade e o relato.
Abraço

Ricardo Marques disse...

PS: É o Vicente que está ali na foto com o Mané?! Parabéns campeão! Boa recuperação e em breve estás de volta em pleno!

Tiaguss disse...

Olha que se vê a moleta na fotografia :)
Mas o homem tá rijo. No Verão está pronto para as curvas.
Abraço

António Parracho disse...

Muito bom! :) Só para quem tem pedal...

Tiaguss disse...

Tb tens dois oh Parracho :)

Anónimo disse...

Muito bom artigo, Tiago! Obrigada! O fim de semana deve ter sido mesmo fantástico!

Marta Jorge

Tiaguss disse...

Devias ter vindo :)
Foram dois dias em grande.